Esse texto (infelizmente) não é meu, mas eu gostei muito dele!! (Mesmo sendo totalmente ficcional e fantasioso). Eu adoro estudar historia,e a minha curiosidade por esse tema surgiu a mais ou menos um mês, quando eu fui estudar na casa da Mari (Blog da Mari). Ficamos uma tarde inteirinha estudando história(Eu,Mari e Mel) e foi durante um comentário de Mel que começamos a falar de Hitler, e discutir sobre esse assunto foi muito bom. Cheguei em casa e fui pra net pesquisar mais, e então achei esse texto que foi publicado na Superinteressante (veja aqui a super)e é autoria de Emiliano Urbim e Amarílis Lage. Quis compartilhar porque eu achei massa, é difícil de encontrá-lo na internet, espero que vocês gostem :*
O dia amanheceu elétrico no asilo
Glückhaus, em Berlim. Diante do casarão, um enxame de jornalistas de
todo mundo ansiava por uma declaração de um dos maiores nomes da Segunda
Guerra: Hans Schmidt. Há exatos 70 anos, em 20 de julho de 1944, Hans
tinha matado Adolf Hitler. Desde então, fugira dos holofotes. Finalmente
romperia o silêncio?
Nada mais improvável. Hans ignorou todos. Ao anoitecer, sua vizinha de quarto não conseguia entender.
“Hans, você é um herói!”, disse Anne, abrindo as cortinas com uma agilidade rara para alguém de 84 anos.
O último repórter estava indo embora.
“Não entendo por que passou o dia escondido. Nem comigo, sua amiga há
anos, você se abre. Isso me magoa, viu?”
“Isso é chantagem emocional.”
“Esse segredo é um fardo, Hans. Não precisa dar entrevista, mas confie em mim. Me conte sua história.”
Com um suspiro, apontou para uma cadeira a seu lado. Ela puxou a cadeira para perto dele, disposta a não perder nenhuma palavra.
“Já avisou que é uma história difícil de acreditar.”
“Eu também vivi a guerra, Hans. Pode contar”
“Anne: eu sou um viajante do tempo.”
Ela quis rir, mas viu que ele estava sério.
“No
meu mundo, Hitler não morreu em julho de 1944. Ele cometeu suicídio em
abril de 1945. Nove meses de diferença, tempo suficiente para que a
Alemanha fosse invadida por americanos e soviéticos, e dividade em
Ocidental e Oriental. Berlim foi separada por um muro. Meu pais, que
viviam do lado comunista, foram mortos logo depois de eu nascer, em
1984.”
Hans parou. “Parece loucura?”
Parecia, mas Anne apertou sua mão e ele seguiu.
“Em 1989, a Alemanha voltou a ser uma
só. Mas o trauma permaneceu. Eu cresci atormentado com a ideia de mudar o
passado. Graças a essa obsessão, quando estava no exército, fui
escolhido para um projeto ultrassecreto: viajar no tempo para matar
Hitler. Em 20 de abril de 2014, cruzei um corredor luminoso e saí em 20
de abril de 1944.”
“Vinte de abril de 2014. Três meses atrás”
“Mas em outro universo. Pode rir, Anne”
“Calma, Hans. Mas por que não matar Hitler antes?”
“Mudar o passado traz consequências
imprevisíveis. Impedir o nascimento de Hitler evitaria a ascensão do
nazismo? Não sei. Em 1944, tínhamos algum controle da situação. De onde
eu venho, 20 de julho daquele ano, o Führer foi alvo de um atentado
malsucedido. Bastava fazer o atentado dar certo”
Atenta,
Anne ouviu Hans descrever a missão. O mais difícil foi entrar no grupo
que tramava o golpe e convencer a todos de que não era um espião.
Ninguém entendia como ele podia saber tanto sobre a Operação Valquíria,
mas Hans transmitia uma segurança absurda. Firme, assumiu o risco de
carregar a mala-bomba que mataria Hitler durante uma reunião.
“Engraçado
que eu me preparei parar encarar o diabo. Mas ele parecia um louco,
berrando pra ninguém. A sala estava cheia, mas era pra ninguém.” Num
gesto calculado, ele largou a maleta bem ao lado de Hitler, evitando o
erro dos conspiradores originais. Quando a bomba explodiu, ele já estava
longe. Os golpistas assumiram o comando e Hans preferiu viver a margem
da história. Afinal, quem ia acreditar na sua história?
“A
partir daí, as coisas seguiram o rumo que você conhece. O novo governo
se rendeu aos Estados Unidos, e a União Soviética nunca ocupou o leste
da Alemanha. O país nunca se dividiu. O muro de Berlim nunca existiu.
Ex-nazistas no poder encobriram muitos crimes, claro, mas o saldo foi
positivo. Com um ano a menos de guerra, salvamos milhões do Holocausto.
Além disso, impedimos a explosão da bomba nuclear – no meu mundo, ela
foi a arma final contra o Japão.” Hans ergueu-se nervoso. “Pronto. Pode
me chamar de louco.”
Anne foi atrás dele.
“E seus pais, Hans? O que aconteceu com eles?”
“Como eu disse, mudar o passado tem
seus efeitos imprevisíveis. Por algum motivo, afetei a vida deles. Meu
pai morreu na adolescência, de pneumonia. Minha mãe sofreu um acidente
aos 20 anos. E eu nunca nasci. Vamos, Anne, diga que sou louco”
Estava prestes a chorar. Anne o abraçou com força.
“Hans, não me importa se você é louco.
Pense nas vidas que você diz que salvou. Quem sabe não acabou salvando a
minha vida, meu caro Hans Schmidt?”
Hans não pôde evitar um sorriso.
“Tem razão, minha cara Anne Frank. Tem razão.''
Xero,
Tatá.




